PRETENSÃO

Ampliar os horizontes da inclusão é a pretensão deste blog. E inclusão não apenas entendida como movimento de pessoas com deficiência, senão também abordar a ecologia, os movimentos de luta por direitos e cidadania, etc. Falar de inclusão, portanto, significa acolher o meio e todas as pessoas. Significa também respeitar e tolerar a singularidade, fazendo da compreensão uma forma de convivência pacífica e plural. Na inclusão ninguém pode ficar de fora!

terça-feira, 3 de agosto de 2021

AMARELINHO LINDO



AGOSTO
Aprendi a gostar de Agosto!
Quando muitos vão a contragosto...
Ele começa amarelinho com as primeiras flores do Ipê,
Quanta majestade a árvore: despe-se das folhas
e exibe só o ouro!
Em sua exuberância, deixa-se contemplar,
Uma beleza que não se fala, que muito cala, porque
Lábios não exprimem o que os olhos veem.

E Agosto,
Amarelinho fica até o fim.
Porque anuncia a transição inverno e primavera,
Dormência que se dissipa,
Vida que ressurge e revigora,
Anunciando a aurora
Da primavera!

Agosto, Ipê-amarelo... Que simbiose os une!
Amo muito tudo isso...




Pela Inclusão e pela Vida!



terça-feira, 13 de julho de 2021

SOMOS ASSIM



Somos assim, feitos de dúvidas.
Porque não ouvimos, entendemos!
Vivemos a perguntar.
Se não o fizermos e alguém não dizer,
Não saberemos,
Quem responderá?

Por não compreender,
Ficamos no espaço e vagamos.
Sonhamos, imaginamos...
A incerteza é nossa companheira de caminhada.
Com ela trilhamos,
Crescendo, nos ajuntando,
Na variedade, na gama.

Como estrada ainda incompleta é o mundo nosso.
Seguimos, acenamos, gesticulamos.
Juntando fragmentos e metades,
Aprendendo nos reveses
Feitos de gritante silêncio, imagens sem sons,
Cores, sabores, vastidão,
Vagando pelo universo
Que a tudo recria e cala.

Muitas vezes não captando,
Como os demais também
Faz-se diferença fugaz, vezes capaz,
De distanciar, ferir e isolar.
O desejo de falar, escrever,
Acenar e tecer
Do sonho uma realização
Complementação...

Sonhar, não apenas,
Como também divagar, por que não?
Se não filtramos a tradução
E o som da interação
Então olhamos e sentimos!
Nossa verdade é sutileza,
Percepção e admiração.

Somos assim...
Como a vida moldou, a sina mostrou, destino traçou
Se não nos entendem, quem melhor nos pretende
Entre toda criação?
Por que ficar, chorar e sofrer?
Se caminhar é movimento, que corre feito um rio,
Que a tudo carrega e ajeita,
E sempre de surpresas enfeita
Suas curvas e desvios.

Vida, generosidade sem fim, natureza caprichosa,
Onde céu e terra conspiram!
O sopro do Espírito aí se instaura,
E faz a magia: momento exato e delineado, oportuno!
Que abre a ferida, numa sangria dolorida,
Forjando contrastes
Promovendo ternura...

Façamos um pacto
Entre a tênue linha que nos separa:
Lua e sol, abismo e vulcão,
Tempestade e brisa,
Amor e fantasia
Haja configuração!
Nada de escuridão, lábios escondidos,
Mãos camufladas e gestos tolhidos
Prevaleça a reaproximação.

Comunicação...
Seja a força que nos transforma,
Une e condensa!
Cumplicidade que tece e sublima,
Tal simbiose mãe e feto.
Caule e raiz,
Força motriz,
Gerando afeto e liberdade
Respeito, profundidade
Emoção e razão
Na vastidão...





quarta-feira, 7 de julho de 2021

DICAS INCLUSIVAS




O texto que segue são algumas Dicas de Comportamentos Inclusivos diante de Pessoas com Surdez, de autoria de Romeu Kazumi Sassaki, Especialista em Inclusão:
  • Se quiser falar com uma pessoa surda, sinalize com a mão ou tocando no braço dela. Enquanto estiverem conversando, fique de frente para ela, mantenha contato visual e cuide para que ela possa ver a sua boca para ler os seus lábios. Se você olhar para o outro lado, ela pode pensar que a conversa terminou.
  • O interlocutor deve falar de frente para o surdo, de modo que este tenha acesso à leitura oro-facial (leitura dos lábios e dos movimentos faciais) e a todo o movimento corporal, favorecendo uma melhor compreensão da mensagem.
  • Não grite. Ela não ouvirá o grito e verá em você uma fisionomia agressiva. 
  • Se tiver dificuldade para entender o que uma pessoa surda está dizendo, peça que ela repita ou escreva. 
  • Fale normalmente, a não ser que ela peça para você falar mais devagar.
  • Seja expressivo. A pessoa surda não pode ouvir as mudanças de tom da sua voz, por exemplo, indicando gozação ou seriedade. É preciso que você lhe mostre isso através da sua expressão facial, gestos ou dos movimentos do corpo para ela entender o que você quer comunicar.

  • Se a pessoa surda estiver acompanhada de um intérprete da língua de sinais, fale olhando para ela e não para o intérprete.
  • Se aprender a língua de sinais brasileira (Libras), você estará facilitando a convivência com a pessoa surda.
  • Ao planejar um evento, providencie avisos visuais, materiais impressos e intérpretes da língua de sinais.
  • O uso da escrita é um bom recurso para esclarecer dúvidas, confirmar um dado importante, registrar uma informação urgente, garantir a compreensão do recado ou informação, mudar uma ordem, responder a uma solicitação ou ser usada como rotina na comunicação de avisos gerais.

Diante de uma pessoa com deficiência da fala

  • Existem diversas alterações de fala, variando desde as mais simples, como a dificuldade em pronunciar os sons de maneira correta, até as mais complexas, como a perda total da voz, as gagueiras mais graves e os transtornos causados por um problema neurológico, que podem prejudicar tanto a fala como a compreensão.
  • Mantenha a calma quando falar com alguém que apresenta alguma dificuldade de comunicação oral. Não tente adivinhar o que ela quer dizer e não a deixe sem resposta.
  • Procure olhar no rosto de quem fala; fale pausadamente; use poucas palavras de cada vez; espere a sua vez de falar e só comece quando tiver certeza de que o outro terminou o que tinha a dizer.
  • Se não entendeu o que foi falado, não tenha receio de pedir que o outro repita ou escreva. A maior parte das pessoas com dificuldade na fala tem consciência disso e não se incomoda em repetir, desde que encontre alguém realmente interessado em ouvi-la.


Pela Inclusão e pela Vida.



terça-feira, 29 de junho de 2021

REFLETINDO A INCLUSÃO COM SÃO PEDRO






Então Pedro tomou a palavra e falou: “Na verdade, eu me dou conta de que Deus não faz diferença entre as pessoas. Pelo contrário, em qualquer nação, quem o teme e pratica a justiça é agradável a ele.”
Atos 10,34-35 (Nova Bíblia Pastoral – Paulus, 2014)


Esta pequena, mas eloquente citação de Pedro, narrada no livro dos Atos dos Apóstolos, além de uma convicção assumida depois de uma experiência pessoal, é brilhante exortação à inclusão. Ele, sendo judeu, foi muito corajoso na animação de uma comunidade a partir da casa de um pagão. Nela inicia uma catequese junto aos não batizados. Pode-se entender aqui a diversidade de raças e culturas (qualquer que seja a nação) distintas e presentes, então abertas para conhecer a novidade que é a figura de Jesus de Nazaré. Para Pedro, está muito claro que vale quem respeita (teme) a Deus e daí vive esta fé com justiça e caridade.

Ninguém é melhor que ninguém. Nenhuma religião deve arvorar-se de ser a preferida. Pelo contrário, é imperativo a vivência da caridade para que, na unidade, todas sejam caminhos que se encontram e levem a Deus.

O que somos e fazemos, a fé pela qual cremos, vale enquanto formos capazes de conhecer e acolher o projeto de Deus: Amá-lo como nosso único Senhor e vivermos o amor sem exclusão, sem maior nem menor, gênero, opção ou condição.

Que bonito é poder compartilhar das diferenças religiosas, quando sabemos e cremos que nosso Pai é Único. Diversos, somos como um único pão, tipo aquela bengala saborosa e crocante, repartida em várias fatias que, mesmo fragmentadas, provêm do mesmo e único pão, inteiro!




Pela Inclusão e pela Vida.







sexta-feira, 25 de junho de 2021

PEQUENO DETALHE




Quadrilha e pipoca... Para espantar o frio tem quentão... Tem conversa à beira da fogueira e para a criançada tem diversão.

Quem não gosta de festa junina? A religiosidade e a cultura tão predominante no país? Mesmo no clima momentâneo girando em torno do futebol, não dispensamos aqueles momentos gostosos de estar com a família e com amigos e vizinhos, participando de rezas, comidinhas e folias típicas de junho. Riqueza boa que herdamos e perpetuamos!

Folia e comidas à parte, o assunto agora é outro.  Falando dos santos juninos, faz uma semana que festejamos o primeiro santo do mês – Santo Antônio. O próximo será João. Antes que cheguemos em Pedro e Paulo, vou repetir um acontecimento que me ocorreu na última festa de São João. Não sei por que nunca aprofundei no assunto, mas foi depois daquela leitura sobre o nascimento de João Batista, que me ocorreu um lampejo e senti que a ideia se congelou diante de pequena citação. Por mais que o conhecesse de cor, nunca havia observado o rico detalhe.

Talvez seja pelo fato de que há momentos especiais em que somos despertos para enxergar com novos olhos e claras razões sobre algo que, de notório, ainda permanecia velado, esperando pela ocasião propícia de ser descoberto...

A leitura discorria sobre o nascimento de João Batista, filho de Isabel e do sacerdote Zacarias.

“Então fizeram sinais ao pai, perguntando como ele queria que o menino se chamasse. Zacarias pediu uma tabuinha, e escreveu: ‘João é o seu nome’(Lc 1,62-63).

Quem conhece o texto, sabe que Zacarias estava incomunicável, isto é, com deficiência de comunicação (o texto diz mudo), em consequência de ele haver duvidado do anúncio que o anjo Gabriel lhe fizera sobre ele ser pai de João, ainda que na velhice, conforme citado mais anteriormente em Lc 1,18-20.

O que se seguiu então foi um diálogo diante de qual nome dariam ao menino que acabara de nascer.

Pelo costume hebraico, o filho adotava o nome do pai. Para Isabel, a mãe, ele seria chamado João, que significa a misericórdia de Deus, a graciosidade de Deus. Então, para justificar a concordância, os parentes resolveram perguntar a Zacarias “por meio de sinais” (v.62) como ele queria que o filho se chamasse...

E Zacarias, “pedindo uma tabuinha, escreveu: seu nome é João” (v.63)...

Foi exatamente esta citação que provocou a reflexão acerca da narrativa. Nos dias atuais, denominamos de Libras a comunicação utilizada pelas pessoas surdas, cuja manifestação é feita através de sinais gestuais e corporais como forma de entendimento entre elas, com deficiência de audição e de fala.
Ora, segundo os textos sagrados, Zacarias “ficara mudo”. Não há nenhuma menção de que ficara também surdo.

A pergunta que não quer calar é: como, estando Zacarias apenas sem voz, dirigiram-lhe a pergunta em sinais? Se uma pessoa ouve, mas não fala, ela usa sinais apenas para expressar sua vontade. Logo, ouvindo, ela não precisa de sinais para captar a mensagem, apenas para transmiti-la.

E daí veio a dúvida que continuará sendo uma dúvida: será que Zacarias ficou também surdo?

Pesquisando assuntos teológicos, constatei que a cultura hebraica teve muita influência da cultura greco-romana. Ora, ambas não fazem uma separação entre surdo (apenas não ouve) e surdo-mudo (não ouve e não fala). Para a cultura greco-romana, quem possuía uma destas limitações, era como se possuísse ambas. Em nada se diferenciavam.

Longe de querer levantar um sentido literal do texto, exalto e valorizo a riqueza de detalhes de que é possível se encontrar nas Sagradas Escrituras. Gosto muito disso.

Não creio que Zacarias tenha ficado sem voz como “um castigo” divino por sua incredulidade. Deus não castiga: Deus é amor, é ternura.

Creio em maior escala que Zacarias, em sua humanidade tão passível de erro, como sacerdote habituado à rotina, ‘pisou na bola’ por querer apressar o tempo de Deus, o “fazer” de Deus. E considero o seu mutismo como a maneira encontrada como forma de reparar o ceticismo assumido, através do silêncio e do recolhimento, na assimilação e contemplação da vontade divina sobre as criaturas, rompendo barreiras, ultrapassando hábitos repetitivos e regras mesquinhas. Silêncio vivido com humildade fomenta a sabedoria, gera alegria.

Pequeno detalhe?

Sim, um pequeno detalhe! Entre eles descobrimos riquezas que nos induzem a buscar outros mais!

Então... “No mesmo instante sua boca se abriu e sua língua se soltou.” (Lc 1,64).

(Este artigo foi repostado. Em plena pandemia sem nossas amadas festas juninas presenciais, contudo, a reflexão fica de pé)


Pela Inclusão e pela Vida.




quinta-feira, 10 de junho de 2021

TEM TRÊS TRILHÕES DELAS




"Quando falamos de 'meio ambiente', fazemos referência também a uma particular relação: a relação entre a natureza e a sociedade que a habita. Isto nos impede de considerar a natureza como algo separado de nós ou como uma mera moldura da nossa vida. Estamos incluídos nela, somos parte dela..."
Papa Francisco, Laudato Si, 139



Pensando seriamente sobre a situação das árvores na atualidade, li na Revista Galileu, estudo recente onde pesquisadores apresentaram mapeamento sobre a quantidade de árvores existentes no mundo. As cifras apontam que existe cerca de três trilhões de árvores, ou seja, 422 delas para cada habitante do planeta.

50% desse total está dividido entre dois ecossistemas: 26% na Amazônia e 24% nas florestas boreais.

A princípio, a cifra assombra pois é um número bastante elevado. Mas em se contando as árvores que são derrubadas a cada minuto, a cada hora, o desmatamento chega a ceifar 15 bilhões de árvores por ano, que dá 2 árvores por pessoa. E isso é muito grave, pois árvore é vida!

Levando-se em conta o número desmatado, se quisermos reparar o dano, cada pessoa - seja ela adulto ou criança - deverá plantar  pelo resto de sua vida 2 (duas) árvores por ano.

É um desafio muito grande, pois, pensando em particular, ainda não plantei nenhuma neste 2017. E não posso contar as flores, as verduras e as plantas, uma vez que árvore é definida como aquela cujo arbusto atinja a altura de um adulto por diante.

São duas árvores por ano!


(ESTA POSTAGEM É DE 2017. HOJE, COM AS CONSTANTES DERRUBADAS E QUEIMA DA AMAZÔNIA, CERRADO E MATA ATLÂNTICA, DIMINUIU A CIFRA ACIMA. TRISTEZA SEM FIM)



Pela Inclusão e pela Vida.





quarta-feira, 26 de maio de 2021

MATA ATLÂNTICA EM ALERTA





A natureza é viva. Logo, a Mata Atlântica tem seu dia comemorado em 27 de maio.

Poderia ser uma comemoração mais feliz, não fosse os índices de devastação que enfrenta ainda.

Levantamento realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) informaram que, entre 2017 e 2018 o bioma da Mata Atlântica perdeu 113 quilômetros quadrados de floresta em cinco estados brasileiros.

Minas Gerais, Paraná, Piauí, Bahia e Santa Catarina ainda constam como regiões degradadas do bioma.

Pelo visto, a luta não pode parar, nem deve ser só de alguns. Deve ser nossa, de todos, com consciência e responsabilidade pela recuperação ambiental a começar por nosso jardim, horta ou quintal, nossa cidade e estado, enfim nos biomas que nos cercam.

Pensando e fazendo localmente, estamos colaborando também regional e globalmente.



Pela inclusão e pela Vida





sábado, 22 de maio de 2021

Vem, Espírito Santo


  


Sem Ti...
Deus fica muito longe,
Cristo permanece no passado,
O Evangelho é letra morta,
A Igreja, uma simples organização,
A autoridade, despotismo,
A missão, uma forma de propaganda,
O culto, simples cerimônia
E a vida cristã, moral de escravos.

Vem, Espírito Santo,
Porque contigo:
Cristo Ressuscitado está presente,
O Evangelho é mensagem de vida,
A Igreja, uma comunidade de irmãos,
A autoridade, um serviço libertador,
A missão, um novo Pentecostes
E o culto, uma festa em família,
Que recorda e antecipa a chegada do Reino!

(Patriarca Atenágoras)



quinta-feira, 20 de maio de 2021

VERDADEIRAS RAINHAS A PRESERVAR




SEIS horas da manhã, pleno outono. Passo a chave sobre a fechadura do portão, tenho pressa. Mas algo que roçou nos cabelos chamou atenção ao pequeno detalhe da natureza bem ali no jardim. Com a luz natural que chega muito preguiçosamente nesta época, anunciando o novo dia, observo a movimentação de abelhas que vem chegando para mais um dia de trabalho, sob a luz das lâmpadas da rua ainda.

Tão cedinho assim?

Uma delas, vindo por trás, roça-me os cabelos enquanto atravesso o portão, desvia-se muito levemente para rosto e, provocando cócegas com o bater suave das asas, segue adiante e vai pousar sobre o caramanchão de amor-agarradinho que se formou sobre a estrutura do portão. São centenas delas que vem “bater cartão” quando o dia mal raiou. Outras centenas ainda virão quando o sol estiver mais forte, e só encerrarão o expediente à tardinha, quando a luz se for.

E amanhã se reinicia tudo de novo...

ANTIGONON LEPTOPUS é uma espécie de trepadeira que além de “Amor agarradinho” como é chamada, denomina-se também “Mimo-do-Céu”, “Sorriso-de-Anjo”, “Lágrima-de-Noiva”, “Entrada de baile”, dentre outras. Chega a durar o ano inteiro se bem cuidada, excetuando-se a época do inverno onde acontecem as podas. Perene, sempre verde e florida, faz a festa e alegria de abelhas, sejam quais forem e que, presentes ininterruptamente, dividem harmoniosamente o espaço na captura do produto para fabricação do mel, essa delícia mais doce que há sobre a terra.

Saio de casa pensando nelas. Na planta, que será podada no início do inverno para que floresça robusta para a primavera; nas flores que embelezam o jardim e forram a calçada como um tapete; nas abelhas que vem e vão, de domingo a domingo chegando cedinho e partindo quase à noitinha.

Como não se cansam? Quem trabalharia mais que elas?

Talvez as formigas empatem...

Penso na diversidade de abelhas que ali vem como a europa, jataí e outras, e seguem sua missão: tão agrupadas polinizando flores, captando néctar e produzindo mel, cera, própolis, geleia real e derivado. Nem se importam com nossa presença no movimento de entra e sai pelo portão e pelo jardim. Algumas vezes até nos esbarramos, mas nenhuma ferroada. Tudo na paz.

De outro lado, fatos não tão naturais, notícias recentes tem revelado que, no país e pelo mundo, o uso indiscriminado de agrotóxicos e pesticidas na lavoura vem dizimando a população de abelhas. E tem sido cada vez mais crescente, uma vez que são elas os maiores polinizadores da agricultura e das matas. O efeito tem recaído sobre o número cada vez menor de rainhas, abelhas operárias perdidas e o colapso total da colmeia. Sem abelhas, ficamos sem mel e a natureza sem produtividade.

Ao tocar nesse assunto, uma sensação desagradável começa a se manifestar em meu interior, onde a negatividade mostra as suas garras diante das ameaças que estão sempre rondando o bem, o bom e o belo. As lindas flores, doces abelhas, árduo trabalho...

Resumo do post de hoje: As abelhas que vem cá no meu jardim não leem jornais. Provavelmente, até o presente elas não dominem toda a carga negativa do assunto e, creio, ainda não deve constar em seus currículos alguma experiência em campos afetados por agrotóxicos.  Assim, desconhecendo o perigo, prossigam dispostas e felizes em sua missão sublime, todo santo dia, de manhã à noitinha na produção do que mais doce há nesta vida, o mel.

Plantemos jardins e as abelhas virão. Que neles não haja venenos nem pesticidas. Apenas flores que embelezam a alma e a vida!

A Esperança é a última que morre!


(Post editado no outono de 2015 e repostado hoje, dia das Abelhas, promulgado pela ONU, como meio de preservação e fomento à sustentabilidade)



Pela Inclusão e pela Vida.








quarta-feira, 19 de maio de 2021

Papa Francisco dá início à Semana Laudato Si' 2021 (Português)

SEMANA LAUDATO SI 2021

 


SEMANA LAUDATO SI 

 10. Não quero prosseguir esta encíclica sem invocar um modelo belo e motivador. Tomei o seu nome por guia e inspiração, no momento da minha eleição para Bispo de Roma. Acho que Francisco é o exemplo por excelência do cuidado pelo que é frágil e por uma ecologia integral, vivida com alegria e autenticidade. É o santo padroeiro de todos os que estudam e trabalham no campo da ecologia, amado também por muitos que não são cristãos. Manifestou uma atenção particular pela criação de Deus e pelos mais pobres e abandonados. Amava e era amado pela sua alegria, a sua dedicação generosa e o seu coração universal. Era um místico e um peregrino que vivia com simplicidade e em uma maravilhosa harmonia com Deus, com os outros, com a natureza e com si mesmo. Nele se nota até que ponto são inseparáveis a preocupação pela natureza, a justiça para com os pobres, o empenho da sociedade e a paz interior.” (Papa Francisco, Encíclica Laudato Si)

“Que tipo de mundo queremos deixar para aqueles que vêm depois de nós, para as crianças que estão crescendo? ”

Foi a pergunta que fez o Papa, lançando-nos o desafio de atender ao “apelo urgente de responder à crise ecológica” que estamos vivendo.

Cuidar do planeta é missão de todos nós. Começa com cada um fazendo sua parte, por menor que seja, com bons hábitos de cuidado, cultivo de alguma ação concreta que efetive o real cuidado que a nossa casa comum carece com urgência.

É pensar como preservar e manter nossa casa para o amanhã, para que as pequenas gerações de hoje tenham terra, água, mar e ar e plantas, florestas onde sobreviver e se reproduzir.

Sendo o homem a maior ameaça ao planeta, este deve e precisa repensar suas ações. Dele depende o meio ambiente, assim como este depende do homem, numa relação simbiótica.

Urge cultivarmos o hábito, a cultura do cuidado!

Não é preciso pensar grande, basta cada um fazer o que está ao seu alcance: plantar um jardim ou fazer uma horta; economizar água e energia; varrer a calçada; separar o lixo reciclável do doméstico; não jogar óleo de cozinha no ralo da pia, não jogar lixo nas calçadas ou nos meios de transportes públicos, dentre outras.

Medidas pequenas e práticas, feitas por muitos podem fazer a grande diferença. Precisamos divulgar, conversar e compartilhar ideias e ações.

E não deixemos de nos mobilizar pela preservação de nossas matas e florestas. Empenhemo-nos seja localmente, por meio das redes sociais, por pressão através de petições públicas, de assinaturas por meio eletrônico de manifestos em defesa da ecologia, ou de outros meios que estejam ao nosso alcance.

Se hoje, nós adultos vivemos num clima que tem se apresentado com tantas fragilidades e ameaças iminentes, o que será do futuro das atuais crianças e daquelas que virão?

Façamos a nossa parte!

 

Pela Inclusão e pela Vida.

 

 

segunda-feira, 10 de maio de 2021

ELAS TAMBÉM



Naquele banco, sentadas lado a lado, a mãe e sua filha. A mãe já idosa; a filha talvez tivesse 45, ou quem sabe 52?

Não sei nomes, origens nem situação. Sei apenas que a filha sorria largamente. E o sorriso era dirigido a mim, a outros, a todos os passantes que a observasse.

Mas quem iria sorrir de volta para alguém como ela? Não se tratava de uma criança, embora fosse isto que se podia notar estampado em seu rosto! Era sua marca. A deficiência que lhe tira o uso da razão ao menos não lhe rouba o sorriso, muito pelo contrário.

Minha passagem por ali, ainda que rápida, foi suficiente para captar naquele gesto inocente, um olhar sobre a indiferença que recai sobre tantas mulheres ignoradas, esquecidas...

Mulheres que não produzem, não procriam;

Não atuam, nem correspondem;

Não sabem diferenciar, muito menos decidir;

Mas que são mulheres. Como não?

Não são metades! São inteiras, mesmo que na limitação...


Algo elas fazem, brincam e arrumam.

Elas menstruam. Sorriem e também choram.

Seus olhares carregam a doçura, o desvelo, a compaixão!

Ah, a compaixão: a marca do coração de Deus!


Mulheres, quais sejam...

Cada qual um sinal visível de suavidade e bondade,

De justiça e maternidade.

De perdão... Sublimação.


Parabéns a todas as mulheres.


Pela Inclusão e pela Vida. 


QUEM CUIDARÁ DEPOIS?  



É a pergunta que faço a mim mesma toda vez que vejo uma mãe idosa acompanhar o (a) filho (a) com deficiência. Seja no ônibus, na rua, nos consultórios, em qualquer lugar.
Falei mãe porque a maioria é a mãe mesmo que está ali ao lado. Difícil vê-las largar seu rebento, mesmo na velhice, com todas as surpresas que a vida vai moldando...
Aqui na rua passa uma única linha de ônibus. A linha 281. Em seu itinerário, tem uma parada – a mais longa e demorada – num centro de especialidades médicas que, além de atender o público em geral, tem uma ala exclusiva para atendimento de pessoas com deficiência (modéstia à parte, uma conquista árdua que conseguimos implementar alguns anos atrás junto ao poder público). Pois bem, ali é o mais movimentado ponto de parada daquela linha, cujos veículos adaptados não dão conta de tamanho contingente.
E nesses anos todos, o que se pode verificar dentre os usuários da linha, é a grande quantidade de PcDs que a utilizam para frequentar os serviços oferecidos nas especialidades médicas dali. Destes, a deficiência mais numerosa é a intelectual, seguida pela deficiência física. Como os avanços da inclusão tem sido positivos, hoje está mais visível a presença dos deficientes aos meios comuns, que deixam o isolamento da sua casa e interagem com um número maior de pessoas, sejam médicos, fisioterapeutas, educadores, enfim com companheiros iguais de condição. Resumindo: saem da “caixinha” para o mundo.
Por ali, vê-se que são tantas as mães que pegam o filho de 30, 40 ou mais anos pela mão e atravessam a rua. Dão sinal para o coletivo e os ajudam a superar cada degrau. Atravessam a catraca e procuram por um assento amarelo – aqueles disputados entre idosos e deficientes, ou então algum cedido com benevolência. E na hora de descer, tem que ir à frente mesmo e segurando igual criança, sob risco de tropeço e fuga pelas ruas.
Dá para imaginar como é a vida dessas mães todo santo dia! As leoas objeto deste post, as lutadoras que impulsionam tal movimento adiante. O que seria dos filhos sem elas?
E a pergunta que não cala: depois delas quem virá, quem cuidará? Qual tutor levará adiante esse ânimo todo com coragem e esperança de algo bom e saudável para pessoas tão especiais? Será a irmã ou o irmão? Os sobrinhos ou os padrinhos?
O Estado?


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Nove horas da manhã, sexta-feira. Adentrei o portão que dá acesso à instituição. Do outro lado adentrava também um veículo oficial, vindo de uma pequena cidade do interior. Além do motorista, um casal já idoso desembarcava com dificuldades, um deles auxiliado por um andador. Foi somente uma observação e segui para a atividade do dia.
Mais tarde, num intervalo, atravessando a alameda sob o sol que aquecia aquela manhã fria, observei sentados juntinhos aquele casalzinho e o filho deles, paciente da casa. Desfrutavam da visita, apagando a saudade e curtindo afetos. A cena indicava que chegara aquela etapa de quem já não reúne mais forças para o cuidado daquele que foi um sonho que sonharam juntos. O rapaz, aparentando mais de quarenta anos, aquecia-se também ao sol recostado em sua cadeira de rodas e envolto de agasalhos, silencioso, alheio a tudo em redor. Mas bem amado, bem cuidado...
Toda vez que vejo cenas assim, vem a pergunta: Quem cuidará depois?
Meu anseio é que haja sempre um Anjo cuidador. Com asas, sem asas. Mas com amor!

(Postagem de maio/2018)

Pela Inclusão e pela Vida!